Custos – a necessidade de entendimento para correta precificação

Falar em custos sempre é polêmico. Ao mesmo tempo que é o único item que uma empresa pode controlar – pois não conseguimos controlar os preços, que são regulados pelo mercado, não conseguimos controlar os consumidores, nem tampouco os concorrentes, os custos são a meu ver a única variável passível de controle.

Porém em minha experiência com gestor, atuando e conhecendo inúmeras empresas de vários portes, sejam eles baixo ou alto faturamento, iniciantes ou experientes, com poucos ou muitos funcionarios, com produtos em hype ou commodities, o assunto é demasiadamente negligenciado.

Falar de custos é fazer contas, e normalmente a maior parte das pessoas não gosta. Simplesmente porque a matemática é implacável, e quando falando de custos de um produto que muitas vezes criamos e comercializamos, nosso comportamento ao entender que o que sonhamos não gera resultado, no mínimo é frustrante.

Ahhh aquele meu filho que não dá resultado

Quando o empreendedor ou empresário abre um negócio, adquire ou cria um produto ele tem muitas vezes paixão por aquele “filho”. Trata a empresa ou o produto realmente como um filho, que viu nascer, está crescendo e vai dar resultados. E como, pelo menos no Brasil, a maior parte negligencia a matéria custos, sempre imaginamos que nosso produto é aquele filho maravilhoso que irá passar em Harvard. Até que a realidade chega…. e quando se faz contas, descobre que o “filho”, aquele produto ou empresa tão sonhado não passa de um vagabundo que não dá resultado….. Por isso a matéria custos é tão negligenciada ao meu ver. Porque dói. Dói você ter um sonho, trabalhar, e no fundo ver que aquilo não vai dar resultado. Pode até ser um ótimo produto ou serviço, mas se o custo não é corretamente contabilizado e consequentemente o preço não é corretamente calculado, não escalamos lucros, apenas produtos e prejuízos.

E como resolver? Simples, encarando o problema de frente…… e vai doer rsrs

Encarando os custos de frente

Muitas vezes quando estou conversando com algum cliente, empresário ou quem deseja empreender sempre questiono sobre custos. E quase ninguém sabe seus numeros.

Sempre defendo fazer o arroz com feijão bem feito, então o primeiro passo é apurar por quanto você compra suas matérias-primas, seu produto que você irá revender.

No Brasil, vivendo a loucura tributária que ainda vivemos, isso pode ser realmente desafiador, pois não é simplesmente saber quanto se paga em um produto ou matéria-prima, mas entender todas as peculiaridades tributárias – até pelo menos a regulamentação e uso da reforma tributária.

Exemplifico: caso sua empresa seja do simples, tudo, absolutamente tudo irá virar custo em suas compras, pois você não poderá se beneficiar de nenhum crédito de impostos, e num país com PIS, COFINS, ICMS, Substituição tributária, DIFAL, IPI e afins isso faz toda diferença

Imaginando uma matéria-prima A que você compra por R$ 100,00, com IPI  de 5% e MVA para ST de 42%, sem entrarmos no mérito de alíquotas, esse item será faturado para sua empresa no valor de R$ 100,00 + R$5,00 + R$ 26,84. Então se o seu comprador se atentar apenas ao preço, e não ao custo total você terá um “sobrecusto” de 31,84% sobre o preço que o fornecedor te cotou. E isso vai diretamente para o custo do seu produto

Agora no caso de você adotar o regime de lucro presumido, como você terá a compensação de IPI e ICMS próprio (no conta corrente de compra / venda desses impostos não cumulativos), expurgando esses impostos o seu custo NET, ou seja sem os impostos não cumulativos o custo do mesmo item pode ser contabilizado como R$ 108,84 – onde será necessário fazer um bom controle de quando e como comprar – levando em consideração também o regime tributário do seu fornecedor. Mas pensando em custos diretos ao seu produto, você não terá mais os 31,84% e sim 8,84% de custo direto no item, sobre os impostos.

A para deixar um pouco mais “divertido”, se você considerar em sua operação crédito e débito de PIS e COFINS, estamos falando por baixo, em mais 3,65% de expurgo de impostos nos R$ 100,00, deixando o seu custo direto numa compra de R$ 100,00 em R$ 105,19. E não vou nem entrar no mérito de DIFAL, FECOP e expurgo do ICMS da base do PIS COFINS rsrs.

O fato é que tente fazer isso em uma cesta de itens complexa para uma industrialização de um produto, ou em caso de uma distribuidora ou seller de e-commerce com vários itens sendo comprados e vendidos diariamente. Simplesmente seu Excel será insano, além de, depois da 3ª. Compra seus dados estarem completamente defasados.

Depois do básico ainda é necessário levantar todos os custos operacionais, administrativos e comerciais para no minimo você descobrir qual o indice a ser aplicado no custo total do seu produto e chegar ao método mais “simples” de precificação utilizando o markup (ou seja multiplicando seu custo total pelo markup para chegar no seu preço final).

Mas calma, ainda não acabou

Nesse ponto onde muitos simplesmente abandonam os cálculos, ainda tempos que lidar com o mercado. Supondo no exemplo acima que você venda o seu produto industrializado ou revendido com custo de R$ 200,00 mas markup de 3, você o venderá por R$ 600,00. E ai é que o bicho pega, porque você estuda o mercado e seu concorrente vende um item similar por R$ 450,00 – e aí você não dorme mais.

O primeiro ponto é que você descobre que se considerar somente o custo da última entrada – na legislação contabil no Brasil pode-se adotar o custo médio ou custo da última entrada – você perde competitividade, pois o custo de suas matérias-primas oscilam constantemente – dolar, euro, custos não previstos, mercado em alta ou baixa, importação que não chega, decisões governamentais. Eu disse, não temos controle de nada….

E levando em conta com numeros hipotéticos do exemplo acima, ora você compra por R$ 105,19 e ora por R$ 98,35, e em outro momento por R$ 120,31, o que vai deixar seu departamento de comprar e suas margens, CMV, etc, malucos… E nesse momento você parte para o custo médio de estoque, ou seja, seu custo de todos os itens podem ter o custo médio de R$ 107,95. Mas imagine refazer isso a cada nova compra… haja disciplina operacional, ou, você não cresce porque centralizou a tarefa de compras.

 Valor nominal compraCom ST+IPI (simples)Com ST+IPI (Custo net)
Data 1 R$                100,00 R$                 131,84 R$                    105,19
Data 2 R$                  93,50 R$                 123,27 R$                     98,35
Data 3 R$                114,38 R$                 150,80 R$                    120,31
 
Custo médio  R$                 135,30 R$                    107,95
Ult. Entrada  R$                 150,80 R$                    120,31
 
Variação Médio x Ult. Entrada 11,45% 

Comparativo entre operação do simples X operação RPA com custo .net (imp. Expurgados) e a variação entre o custo médio e última entrada

E qual a solução?

A solução passa por diversos pontos: pessoas – com conhecimento ou que sejam “treináveis”, processos: com definição de como é cotado, comprado e recebido e por fim como fazer com que isso tudo seja repetido inúmeras vezes sempre da mesma forma: utilizando um ERP – ou software de gestão.

Nos dias atuais a única maneira de manter as coisas em ordem e ter numeros confiáveis para tomada de decisão e negociação é ter um ERP que possa garantir que o processo definido pela diretoria, sócios ou proprietário da empresa seja cumprido sempre da mesma maneira e que todas as regras fiscais, legais e de processo estejam de acordo. Pois quando se tenta fazer tudo isso manualmente, ou a pessoa fica maluca ou simplesmente negligência o cálculo de custos, pois dá um trabalho enorme com uma chance de erros absurda.

E qual o melhor ERP?

Existem ERP´s de entrada hoje que são aqueles baratinhos, onde temos um valor fixo mensal, ou que te penalizam cobrando um % do seu faturamento, porém não possuem tantos controles e restrições, parecendo mais um Excel do que um ERP – à exemplo do que já vi, permitem que qualquer um altere estoque ou custo sem nenhuma alçada ou restrição. Existem também aqueles que são os “de marca”, caros, com alto custo de implantação e customização, genéricos como os de entrada e que para adaptar à sua operação, serão gastos rios de dinheiro e que a cada nova versão do ERP será necessário refazer todas as customizações.

O melhor ERP na minha opinião é aquele que já atua no seu nicho de mercado, conhecendo as peculiaridades de operações semelhantes à sua e que preferencialmente entendam não só do técnico mas também das regras de negócio do seu segmento – o que trará mais aderência à sua empresa e com customização em um nível adequado

Dessa forma sua empresa poderá ter todos os benefícios de um ERP, sem os enormes custos de customizações e aderente à sua necessidade de negócio, aumentando de fato a rentabilidade da sua empresa, de forma à atender desde o operacional até o estratégico.